Archive for the 'Futebol' Category

O Esquenta Galho

Escrevi isso esses tempos, motivado por um trabalho para a aula (muito chata, por sinal), mas vale o registro. Foi na época em que o Marcílio Dias ainda estava na segunda divisão do Campeonato Catarinense. Trata-se de uma crônica. Entenda porque:

O Esquenta Galho

 Não existe em Itajaí e região lugar mais democrático e divertido do que o esquenta galho. É assim que nós, marcilistas de coração, chamamos a arquibancada descoberta do estádio Dr. Hercílio Luz, também conhecido como Gigantão das Avenidas, no centro da cidade. O apelido carismático, não se sabe da onde vem, mas representa a união dos torcedores, que ali – geralmente com o sol forte na cabeça e o odor saboroso dos espetinhos de gato que exalam debaixo dos degraus – se reúnem em todos os jogos em casa do Marinheiro.

Só quem assiste aos jogos no esquenta galho sabe do que estou falando. Ali frequentam por jogo entre 300 e 500 torcedores, faça chuva ou sol. É nesse espaço que médicos, advogados, garis e desempregados estão em igualdade social e de opinião, falam as mesmas besteiras, xingam, aplaudem e dão risadas juntos, como velhos amigos, sem mesmo se conhecer pelo nome. Eles vêm de todos os lugares possíveis, dos residenciais da Praia Brava aos barracos do Imaruí. A espontaneidade e a criatividade são as marcas registradas desses torcedores. Por jogo, Nelson Rodrigues escreveria pelo menos cinco crônicas, só aproveitando as pérolas disparadas pelos marcilistas. Os adjetivos são tantos, e tantos impublicáveis, que não cabem nesse texto.

É o zagueiro turrão que vai expulso, é o goleiro frangueiro que faz gestos para torcida, o juiz e o bandeirinha que estão sempre roubando o nosso time, o gândula que escorregou pra buscar a bola, o centroavante que perdeu um gol feito e o lateral, que por aquele lado corre, e entende mais do que ninguém o que são os corneteiros do esquenta galho. É o grito de ‘Cilio! Cilio!” quando o time consegue um ataque perigoso. O gol então, é uma catarse.

O esquenta galho é como um clube fechado – que as vezes, infelizmente, fica infestado dos indesejados secadores – onde o mesmo grupo de sócios – sem carteirinha, nem contrato – se reúne de domingo em domingo. A diferença é que ali não se tem vantagens, nem benefícios. Não é o Itamirim onde a burguesia se junta para ver quem tem o carro melhor, quem tem o melhor emprego e salário, e se esbaldar no mega conjunto de piscinas, campos de futebol e quadras de tênis. A graça de ser marcilista é justamente sofrer e dar risada, na derrota, na vitória e no empate. Sem conforto, no concreto e debaixo de sol.

Quantas vezes, nós marcilistas, não deixamos aquele estádio jurando nunca mais pisar àquele concreto mal cuidado, depois de mais uma decepção daquelas. Pergunte quantos apareceram no domingo seguinte e a resposta será: os mesmo de sempre, ninguém resistiu a tentação de ver o Cílio de novo em campo. “Deviam destruir isso aqui e construir uma pista de patinação no gelo”, ouvi certa vez na saída do portão para a avenida Marcos Konder, após uma derrota vergonhosa. “Deviam mesmo é fazer uma zona gigante pra gente que vem aqui sofrer”, rebateu outro torcedor.

Hoje, 90% de Itajaí não entende como que o Marcílio Dias resiste aos 90 anos, falido e na segunda divisão do campeonato catarinense, com uma sala de troféus quase vazia e empoeirada. A indignação é maior ainda ao ver o velho Dr. Hercílio Luz, ocupando um espaço enorme no centro da cidade, que poderia ser, na opinião deles, um shopping, um mega condomínio… Esses, creio, nunca assistiram a um jogo no esquenta galho para entender por que o velho Marinheiro nunca vai fechar as portas.

No último domingo, os marcilistas voltaram a assistir ao rubro-anil do esquenta galho. Interditada desde o começo da temporada, por problemas estruturais, a arquibancada lateral precisou passar por reformas, e contra nossos princípios, tivemos que ver vários jogos na chamada arquibancada da Cassol, atrás de uma das traves.

A alegria de pisar novamente o esquenta galho bateu com a vitória suada por 1 a 0 em cima do Tubarão, que nos colocou na liderança do campeonato e a dois pontos do título do returno. Uma partida feia, sem inspiração e de futebol indigesto. Mesmo assim, o torcedor saiu rindo à toa, não tem jogo ruim no esquenta galho.

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Liverpool perde para o Chelsea e se complica na temporada

O Liverpool teve um teste de fogo no último domingo, em Londres, ao enfrentar o Chelsea no primeiro clássico da temporada 2009/2010. Depois de perder para o Fiorentina na Champions League, os Reds precisavam de um bom resultado em Stamford Bridge pra recuperar a moral e seguir crescendo na Liga Inglesa, além de alcançar os rivais azuis na classificação. Mas os detalhes fizeram a diferença em um jogo muito equilibrado, e os donos da casa levaram a melhor. Com o 2 a 0, o Chelsea assumiu a liderança, abrindo seis pontos pra equipe de Rafa Benítez, que por ora parece estar longe de ter chances de título. 

O técnico espanhol foi o maior responsável pela derrota. Ele escalou muito mal a equipe, deixando o lado esquerdo do time capenga, com Rieira no meio e Insua na lateral, quando no banco ficaram Benayon e Fábio Aurélio. Benítez é o único que não percebeu que os seus dois titulares para essa partida estão muito abaixo dos jogadores que ficaram de fora, mas que entraram no segundo tempo e melhoraram consideravelmente o time, só que tarde demais.

Apesar do Chelsea dominar a partida, ameaçou pouco o gol de Pepe Reina e a defesa bem armada do Liverpool dava a crer que o jogo caminharia para um 0 a 0. Até que o volante Mascherano, que fazia um partidão na marcação, perdeu uma bola no meio de campo, justamente para Frank Lampard, que armou um contra-ataque rápido, resultando no gol de Anelka. Esse é o grande defeito do argentino dos Reds, muito bom em destruir, mas com dificuldades de passe e lentidão para sair jogando.

A partir daí o técnico botou o Liverpool pro ataque, colocando Babel no lugar do Lucas, Benayon na posição do Rieira, e o time criou boas chances, mas pecou nas finalizações. O gol de Malouda aos 47 do segundo tempo fechou o placar em outro contra-ataque, com a defesa já desarrumada. A verdade é que perder para o Chelsea em Londres não é nenhum absurdo, trata-se de um resultado normal. Mas com o futebol apresentado até agora, a equipe do capitão Gerrard parece que vai ficar mais um ano sem levantar uma taça. 

O maior problema está no meio-de-campo: Xabi Alonso foi para o Real Madrid e deixou um grande vazio na ligação entre a defesa e o ataque, pelo menos enquanto Gerrard for escalado quase como um segundo atacante. A grande contratação para a temporada, que resolveria este problema, o italiano Aquilani, continua se recuperando de uma operação no tornozelo. Se essa demora permanecer, o investimento para a temporada será em vão.

gerrardGerrard na sua partida de nº 494 com a camisa do Liverpool, infelizmente derrota para o Chelsea

Liverpool bate West Ham e começa a engrenar

Os Reds conseguiram na tarde de ontem três importantes pontos para engrenar na Liga Inglesa, ao bater o West Ham por 3 a 2 em Londres, com dois gols de Fernando Torres e um de Kuyt. Essa foi a quarta vitória seguida da equipe (três no Inglês e uma Champions League), que começou mal na competição nacional, mas com os resultados de ontem já chega a terceira posição. Hoje Chelsea e Totteham se enfrentam e City e United fazem o clássico da cidade de Manchester, completando o final de semana com dois confrontos diretos entre quatro times que começaram muito bem o campeonato.  Dependendo do que acontecer nesses duelos locais, o Liverpool pode cair para quinto, mas continuar póximo dos líderes. São só seis rodadas, mas justamente esses pontos menos valorizados fazem falta lá na frente.

Assim como no jogo contra o Bolton, o Liverpool passou apuros para vencer fora de casa, mas mostrou força pra não desistir e buscar o gol do desempate já depois dos trinta do segundo tempo. Como já havia dito, ter Torres e Gerrard inteiros durante toda a temporada pode ser um diferencial que faltou no último campeonato, já que eles têm grande poder de decisão. E dessa vez foi o espanhol que mostrou sua genialidade. Abriu o placar em uma jogada individual, passando por dois zagueiros e cutucando a bola pras redes. Já no segundo tempo, quando a partida estava em 2 a 2, ele acertou um cabeceio certeiro entre dois defensores, tirando do goleiro e botando a bola no canto após belo cruzamento de Babel. O camisa nove chegou a cinco gols na competição.

Quem também deixou o seu foi Kuyt, que aproveitou bem o toque de cabeça do capitão Gerrard depois de escanteio. O meia holandês volta e meia aparece no lugar certo e na hora certa, sozinho e pronto pra marcar, como fez no meio de semana, quando garantiu a vitória sobre o Debreceni por 1 a 0, na primeira rodada da Copa dos Campeões da Europa.

Para ver os gols da vitória do Liverpool sobre o West Ham no site da ESPN Brasil clique aqui.

Pelo visto poderemos nos acostumar com as manchetes do tipo “Liverpool vence apertado” nesta temporada. Com exceção de duas goleadas em casa em cima de times que vão brigar pra não cair, os Reds tão se acostumando a deixar pra decidir as partidas no final ou então com diferença mínima de gols. Aliás, os comandados de Rafa Benítez têm sido tratados com certa desconfiança pela imprensa esportiva brasileira em geral, principalmente pelos comentaristas da ESPN. Dois tropeços nas primeiras rodadas e esses pontos suados como os de ontem fazem com que o Liverpool seja classificado como coadjuvante na briga por títulos nas competições que disputa, de acordo com os entendidos do assunto. O favorito pra eles é o Chelsea, mas o time de Lampard já ganhou pelo menos três jogos nos acréscimos, então não está sobrando tanto assim.

Vejo isso como uma vantagem, já que na última temporada o Liverpool começou atropelando os adversários, durante boa parte da liga foi tido como principal favorito, mas bobeou em jogos fáceis e deu brecha pro Manchester United assumir a ponta. Quem sabe crescendo aos poucos, podemos chegar até mais longe, já que o time é praticamente o mesmo e está reforçado por Johnson e Aquilani, que ainda vai estrear. O importante é não perder pontos obrigatórios, em especial dentro de casa. Com exceção de uma derrota pro Aston Villa em Anfield, os resultados até agora foram bons, principalmente as duas goleadas em casa contra times fracos. Empates contra equipes de nível baixo que prejudicaram a conquista do sonhado título há alguns meses.

Semana que vem mais um teste do que estou falando, com um jogo em casa contra o Hull City. Na temporada passada em Anfiled esse confronto terminou 2 a 2, graças a Gerrard que marcou duas vezes. Uma partida como essa tem que ser certeza de três pontos para os Reds se quisermos brigar pelo título. Então vamos ver se o time confirma o desempenho e consegue até mais uma goleada. Continuamos no páreo.     

torres
Torres garantiu a vitória com dois gols em Londres

Brasil passeia na Argentina, e não tem gosto melhor

Nunca vi uma torcida argentina tão apática. O Brasil comemorava seus gols, um atrás do outro, e apenas algumas pessoas no alambrado, a poucos metros dos jogadores, esboçavam alguma reação. Na noite de hoje, uma das mais agradáveis dos últimos anos, a Seleção passeou em Rosário, na Argentina, e fez 3 a 1 na equipe de Maradona. Enquanto os comandados de Dunga já estão garantidos na Copa do Mundo, os Hermanos irão penar pra carimbar o passaporte pra África do Sul nos próximos três jogos que restam da Eliminatória.

Mais do que vencer a Argentina, que não tem gosto melhor nessa vida, acho que ver essa Seleção em campo está resgatando aquela paixão que o brasileiro tinha pelo esquadrão Canarinho, que virou desgosto e até certo nojo depois de 2006. Uma equipe segura, raçuda, com o craque digno de vestir a 10, um centro-avante sem frescuras e matador, um capitão briguento, um goleiro milagroso. Analisando o jogo de hoje, o Brasil foi tranquilo quando precisou, deu chutão na hora certa, saía jogando com facilidade, usou bem as viradas de campo e montou um verdadeiro forte na zaga. Como diriam os antigos, fez uma “senhora” partida.

A tempos eu não via um jogo tão prazeroso de assistir. Podia se ver uma plástica no futebol dentro de campo, além da rivalidade que torna qualquer pelada um clássico cinematográfico. Jogadas se armando, dribles, lançamentos, defesas, chutes. Um duelo de seleções longe da truculência que nos acostumamos, tá certo que uma ou outra pancada é necessária, mas a bola ganhou tratamento especial.

E apesar de toda a antipatia (pra não dizer outra coisa) que tenho pelos adversários, admito que enfrentamos um grande time. Pode-se dizer que os Hermanos dominaram o jogo, mas o Brasil que teve o controle da partida.  Vejo o time argentino como uma futura força, que ainda toma forma. Talvez para 2010 eles não estejam prontos, mas esse conjunto (Messi, Tevez, Mascherano, Aguero…) vai chegar na Copa seguinte com experiência e futebol de sobra. Pena que em terras tupiniquins, quem manda somos nós.

Messi é um meia-atacante fantástico, ele parte pra cima, é impossível de ser marcado por um único defensor, cria espaços onde não existe e entrega bolas açucaradas para os companheiros. 

Mas o Brasil tem Kaká. Esse sim, me lembra um jogador à moda antiga. Apesar de ter a versatilidade do jogo moderno, o craque é completo, joga de cabeça em pé, deixa os zagueiros e volantes no chão, protege, dribla e corre como poucos no mundo. Chamar o camisa 10 de jogador diferenciado é encher demais a bola dos atletas diferenciados, pelo menos hoje em dia.  

O lançamento para o terceiro gol foi uma pintura. Com participação de Maradona, que mudou o confronto de cidade pela qualidade do gramado, e facilitou o trabalho do nosso armador. Quando achei que a Argentina ia crescer até conseguir o empate, um toque de genialidade acabou com as esperanças dos donos da casa.

O Brasil tem um conjunto fortíssimo, fazendo jus ao primeiro lugar no ranking da FIFA. Dunga encontrou o esquema certo, equilibrado na defesa e no ataque. De tanto insistir em jogadores do exterior, o treinador conseguiu montar um time com características européias. A principal delas é a bola parada. Ela define a maior parte dos jogos dos tempos atuais e estamos muito bem servidos e preparados. Graças a uma cobrança de falta, a equipe Canarinho abriu o placar, quando se dedicava apenas na marcação. Depois, por um golpe de sorte, a falta batida sobrou no nosso matador, que tava no lugar certo e na hora exata.

Luís Fabiano é um atacante único, que seleção nenhuma no mundo tem. Como pode alguém falar em Ronaldo e Adriano para a Copa, se nós temos o camisa 9 há muito tempo. A resposta dele vem em gols. Mas ao contrário de outros centro-avantes que já passaram por aquela posição, ele não se leva pela fama, continua com cara e raça de brasileiro.

O restante dos titulares (com exceção da dupla do Manchester City, Elano e Robinho, que pra mim deixam a desejar em momentos importantes das partidas) merecem os elogios que teci a Káká e Luís Fabuloso. Todos com os pés no chão, focados na partida, determinados a vencer e não em dar espetáculo. Lúcio pra mim é a cara do time. Você deve pensar, que time feio, mas o zagueiro é o capitão e um exemplo de força de vontade. Dentro da área brasileira ele foi soberano, e quando não foi possível, contamos com Júlio César, em ótima forma.  

Resta ao técnico Dunga focar na Copa do Mundo, fechar o time títular e preparar esse grupo para os desafios em 2010, além de rir da imprensa e de boa parte da população, que sempre teve restrições ao seu trabalho. Lá na África seremos o time a ser vencido, então bateremos de frente com grandes muralhas e marcações intimidadoras. Ilusão achar que como a Argentina fez hoje, outras seleções vão se abrir pra enfrentar o Brasil. Uma tática quase suicida quando se tem a velocidade e técnica de Kaká e a definição de Luís Fabiano do outro lado.

 À Maradona e companhia, resta rezar e se preparar para três jogos decisivos, que podem marcar um fiasco histórico. Também chegam com chances reais de classificação Colômbia, Equador, Uruguai e Venezuela. Todos esses países brigam por duas vagas, uma direta e outra numa repescagem, contra um adversário bem inferior. Acredito que os Hermanos se classificam, mas só de vê-los tremendo de medo já vale acompanhar as próximas rodadas. Argentina e Paraguai, na próxima quarta, ganhou ares de rivalidade dos tempos de guerra, só que com a bola nos pés.

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Três momentos do dia histórico em Rosário: uma Seleção de respeito; um camisa 10 digno e um centro-avante único
Fotos: ESPN Brasil

Com a palavra Doutor Sócrates

Eram 21h20, Sócrates estava cercado de pessoas, batendo fotos, dando autografos e sorrindo. Tá certo que a maioria que ficou até o fim pra ter um registro ao lado do Doutor, estudantes de Educação Física, não devem ser verdadeiros fãs do futebol e nem conhecem 5% da história do ex-jogador, apenas se deixaram levar pelo momento. Porém, alguns corinthianos posavam ao lado do craque com orgulho e agradecendo, não pela palestra, mas por ele ter representado uma época dentro do clube. O Sócrates da Democracia. Eu também estava ali, com meus pseudo-quadros e uma caneta permanente em mãos. Enquanto andava para a porta do teatro, ele autografou. Simpático com todos, Sócrates foi saindo de fininho e logo estava lá fora com sua companheira sem ser mais solicitado.

O evento era a quinta Semana Acadêmica de Educação Física, e trouxe Sócrates a Itajaí para falar sobre a preparação dos atletas na década de 70 e na atual. De fato ele falou, cerca de cinco minutos sobre esse tema. Mas Sócrates não queria contar histórias da vida de boleiro, nem fazer muitas comparações com a sua época e hoje (o que veio a comentar depois). O Doutor se mostrou mais preocupado com a educação, com o jogador como ícone que pode contribuir para a formação social de crianças carentes e com a importância do esporte para qualquer classe e idade.

Também é verdade que ele não preparou uma palestra, simplesmente colocou sua opinião por longos 20 minutos e depois abriu o espaço para um debate. Algo como você pergunta e Sócrates responde. Mais que um ser que pensa no coletivo (Ah os tempos de democracia corinthiana), que pensa na bem-estar da sociedade e não se conforma com as injustiças, o ex-jogador se mostrou uma pessoa de nível culto altíssimo, entendido de qualquer campo do futebol, da política, do esporte e por aí vai. 

Não é a toa que ele fez o caminho inverso da história comum dos jogadores da década de 70 (até os anos 2000). Cursava medicina quando foi “forçado” a jogar futebol, assinando o primeiro contrato em Ribeirão Preto. No fim se tornou ídolo do Timão, da Seleção e ainda se formou médico, quase uma exceção entre os atletas até hoje.

Eu poderia escrever um monte sobre os temas debatidos, as opiniões do Sócrates, mas não sei até que ponto poderia ser detalhista e manter a atenção do leitor. Então aí vão alguns assuntos que me chamaram a atenção.

O Doutor falou do jogador como um artista, que merece um tratamento diferente. Ele deixou claro que não tem comparação sobre o nível técnico da época em que ainda jogava com o tempo atual. “Não sei se o Ronaldo seria títular no meu time”, comentou em tom de brincadeira mais tarde.  Sócrates acrescentou que lá nos anos 70/80 se corria 4 km, enquanto hoje os atletas correm 12km. “Das duas uma, ou aumentam o campo, ou tiram dois jogadores de cada lado”, apontando a solução para a falta de qualidade das partidas atualmente.

Choveram perguntas sobre a venda de jogadores para o exterior, jovens talentos que vão pra fora ou como manter os craques por mais tempo no Brasil. Para ele o país é um grande mercado, que fica aberto o tempo inteiro para os times europeus, então fica muito difícil de brecar essa leva que sai nas famosas janelas de transferências. A mudança de calendário não vai fazer diferença também, a solução para o Doutor é os clubes se tornarem empresas e as gestões serem mais profissionais.

Perguntei a ele o que ele achava da Copa do Mundo no Brasil, se correriámos o risco de investir bilhões em estádios e acontecer como no pan-americano do Rio, onde os estádios e praças esportivas não são mais usados e aparecem como grandes elefantes brancos na cidade maravilhosa, já que nem a comunidade pode ter acesso. Prontamente o doutor respondeu: “Não corremos o risco, isso vai acontecer. E muita verba vai sumir, com certeza”. Ele falou sobre estádios que serão deixados de lado depois de 2014 e disse que a única forma da Copa ser útil para o Brasil, é se o investimento maior fosse nas infra-estruturas das cidade, o que a população poderia ursufruir por um longo tempo. Mas garante que é muito dificil de isso acontecer.

Depois de uma hora e meia respondendo a perguntas dos estudantes, que não foram muitos presentes no Teatro da Univali, Sócrates encerrou sua participação em Itajaí. Atendeu todo mundo e distribuiu autógrafos que vão ficar jogados em gavetas daqui pra frente. Não é o caso do meu, que vai virar quadro. Além de ver um ídolo de perto, pude ver um grande filósofo de perto. Sim, o Sócrates. O Sócrates Brasileiro. Conhecimento imenso, bastante simpático e fã de jogos de golf, dá pra acreditar?

Chapecoense cada vez mais perto da Série C

Se tem um clube em Santa Catarina que pode ser usado como modelo de administração de futebol e de comprometimento da cidade, esse time é a Chapecoense. Na tarde de ontem o Verdão do Oeste venceu mais uma partida dentro de casa, ao bater o Londrina por 2 a 1 no confronto de ida da 3ª fase da Série D nacional, e deu um passo importante rumo a Série C. Apesar de já estar classificado para o mata-mata seguinte, levar a melhor nos 180 minutos contra a equipe paranaense significa decidir em casa o acesso definitivo, que virá na justamente na próxima etapa da competição.

Há alguns anos a Chapecoense vem se destacando no futebol catarinense, com o título em 2007 e o vice-campeonato nesse ano, mas ainda encontrava dificuldades em competições nacionais. O sucesso do Verdão se deve principalmente ao apoio da cidade em vários sentidos. Não estou falando de verbas municipais, como por exemplo o Marcílio se (mau) acostumou a depender, mas sim de um suporte de empresários e torcedores. O que quero dizer é que a cidade vive o clima do clube e tem orgulho do desempenho de seu representante no futebol.

A começar pelo povo, que veste a camisa mesmo e não mede esforços para lotar o Índio Condá. Jogar na pressão do estádio tem se tornado uma tormenta para os adversários. O incentivo que vem das arquibancadas empurra mesmo os jogadores, e a equipe se tornou praticamente imbátivel dentro de casa. Foram 14 vitórias, 4 empates e nenhuma derrota no ano, 85% de aproveitamento no total.

E não é só na hora de ir ao campo que o verde predomina. Nas ruas, nos bares, e em qualquer lugar da cidade a Chapecoense está representada, seja no uniforme ou no hino popular, que todo mundo sabe o refrão: “Por que o Verdão… É o time do meu coração”.   

Além da torcida, a Chapecoense encontra na cidade o que muitos clubes penam para conseguir Brasil afora: suporte financeiro. Não é uma ou duas empresas que bancam as despesas, são várias parceiros que ajudam dentro do possível e garantem no fim do mês um montante suficiente. E olha que o Verdão é o time que mais sofre com despesas de viagem, pelo menos na competição catarinense. O clube fica em um extremo do Estado e enfrenta apenas times do outro extremo, que se espalham de norte a sul. 

Mas toda essa moral com o empresariado local não é por acaso, pessoas de credibilidade estão a frente do negócio e se mostraram abertos a receber apoio. Dessa forma não fica dificil reunir um bom grupo de investidores. Os resultados vieram no campo. 

O que me chama mais a atenção é a forma simples como os dirigentes fazem futebol lá no Oeste. As contratações são acertadas por que os jogadores são conhecidos, a maioria deles já atua há um bom tempo no futebol barriga-verde. É dificil a Chapecoense arriscar em atletas anônimos, que chegam sem uma bagagem ou uma referência válida. O resultado disso pode se ver dentro das quatro linhas, com a equipe favorita para conseguir o acesso a Série C. Mérito para o Mauro Ovelha.

Olha só o time que entrou em campo nesse final de semana, com os clubes em que os jogadores atuaram por aqui: Nivaldo; Basílio (Marcílio Dias, Criciúma), Kleber Goiano e William Amaral; Luis André (Ibirama, Criciúma), Fabrício (Ibirama, Criciúma), Emerson Cris, Neném (Guarani de Palhoça, Criciúma) e Cristiano (Marcílio Dias, Metropolitano); Waldison (Marcílio Dias) e Giancarlo/Maurício (Ibirama, Criciúma, Marcílio Dias).

Novamente sou obrigado a abrir um parênteses para citar o Marinheiro, e infelizmente, de forma negativa. O Marcílio Dias esse ano foi um exemplo de como não se administrar um departamento de futebol. A maioria das contratações eram desconhecidas e foram muito mau indicadas, pelo nível baixíssimo de qualidade. Se tem bons valores aqui na região, até agora não entendo porque inventar com gente do Mato Grosso, de Goiás e etc.  O que colhemos com isso? Dois rebaixamentos seguidos, que desperdiçaram grandes chances de crescer no Estado e principalmente no Brasil, já que a Série C nunca foi tão fácil como em 2009.

Voltando para o Oeste, de todos os clubes que disputam a Série D, a Chapecoense é com certeza a favorita até ao título. O acesso a Série C é quase garantido, se continuar com o mesmo ritmo, principalmente com a força do Índio Condá. Ano que vem teremos Verdão e Criciúma na terceira divisão do Brasil, e o Tigre que se cuide, por que se não fica pra trás também. Joinville e Marcílio já ficaram pelo caminho.  

chapecoense

Luis André comemora gol que abriu o palcar contra o Londrina

Liverpool sofre para vencer o Bolton

O Liverpool chegou hoje a sua segunda vitória no liga inglesa, ao bater o Bolton por 3 a 2 de virada, na casa do adversário. A equipe voltou a jogar mal e esteve atrás no placar duas vezes, mas conseguiu passar a frente na segunda etapa graças a Fernando Torres, que empatou (em 2 a 2) a partida em bela jogada de Kuyt, e Steven Gerrard, que decidiu o jogo a favor dos Reds com um chutasso há sete minutos do fim. O outro gol vermelho foi marcado por Glen Johnson (em 1 a 1), no fim do primeiro tempo.

O time do Bolton é muito fraco e mesmo assim impôs dificuldades aos comandados de Rafa Benítez, que precisaram ficar com um homem a mais em campo (Davis foi expulso aos 9 do segundo tempo) para reagir. Agora o gigante de Anfield tem duas vitórias e duas derrotas na competição.

Clique aqui e veja os gols da partida no site da ESPN Brasil.

Há tempos não via uma partida tão fraca tecnicamente do campeonato inglês, e muito mais do Liverpool. A equipe parecia se desencontrar em campo, errando muitos passes e criando pouco. O ataque dos Reds, acostumados a trocas de passes envolventes, mostrou um repertório muito pobre, com insistentes cruzamentos, principalmente na primeira etapa. O Bolton achou seus gols em falhas da zaga, que teve a estreia fraca do grego Kyrgiakos ao lado de Carregher. A vitória começou a se desenhar quando Davis foi expulso aos 9 minutos do segundo tempo, aí o Liverpool (que perdia por 2 a 1) passou a dominar o jogo e chegou a virada por conta da individualidade de seus dois principais craques, Torres e Gerrard.

Não sei o que acontece com o time, que manteve a base (só perdeu o Xabi Alonso praticamente), mas caiu assutadoramente de rendimento. Não tinha visto a equipe jogar ainda, mas li de atuações semelhantes nas duas derrotas anteriores. Mesmo com os três pontos de hoje, o caso é preocupante, e se o Liverpool demorar pra encontrar o futebol da última temporada, os outros clubes poderão não ser mais alcançados. Apesar de tudo ser possível em Anfield, pelo jogo contra o Bolton, arriscaria que o título vai ficar entre Manchester (United e City) e Londres (Chelsea e Arsenal). Tomara que não.

Faltam ainda Fábio Aurélio e Aquilani, ambos machucados, para o time estar completo. Lucas se mostrou novamente esforçado, apesar de errar muito ainda no meio de campo. Com a entrada do italiano, a criação e o toque de bola do setor de armação devem crescer bastante. Já quanto a lateral esquerda, é indiscutivel a diferença técnica entre o brasileiro e Insua, que se mostra abaixo da média no plantel. Também tá na hora do Benítez parar de insistir no Riera pela ponta canhota e assegurar o Benayon na posição. O meia israelense evoluiu muito na última temporada e pode ser mais útil como títular, jé o espanhol cansa de desperdiçar jogadas pela ala.    

Eles mudaram o jogo

Chamou a atenção o Glen Johnson, que começou bem o jogo (na etapa final caiu de rendimento), maracando seu segundo gol com a camisa vermelha. O lateral-direito irá ajudar muito na temporada, mostrando mais futebol que o Arbeloa até aqui, criando várias jogadas de ataque, o que o espanhol raramente fazia. Finalmente uma boa contratação.      

Torres e Gerrard são casos a parte. Solitário na linha de frente, o Niño mostrou categoria pra empatar a partida em 2 a 2 após ajeitada de peito do Kuyt. Mesmo com as dificuldades na armação, o atacante consegue buscar espaços e criar oportunidades, parando no goleiro pelo menos duas vezes durante o jogo. Esse é o terceiro gol do espanhol em quatro confrontos na temporada. Se não se machucar, ele pode ser decisivo para a Liverpool.

Já o capitão Steven Gerrard não precisa de muitos comentários. Ele esteve apagado na primeira etapa, mas chamou o jogo pra si na hora certa. Arriscou bastante de fora da área e deixou os companheiros com chances de marcar pelo menos três vezes. Foi do camisa 8 o lançamento que resultou no gol de empate aos 11 do segundo tempo. Pra concluir, o meio-campo acertou um chute indefensável da entrada da área, aos 38. A bola entrou no ângulo e decretou a vitória dos Reds, mostrando todo o poder de decisão do craque inglês. Assim como o Torres, se ele não se machucar, irá ganhar muitas partidas sozinho nessa temporada.

liverpool

Gerrard (esq.) comemora golaço que deu a vitória ao Liverpool aos 38 do segundo tempo.


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