Archive for the 'Marcílio Dias' Category

O Esquenta Galho

Escrevi isso esses tempos, motivado por um trabalho para a aula (muito chata, por sinal), mas vale o registro. Foi na época em que o Marcílio Dias ainda estava na segunda divisão do Campeonato Catarinense. Trata-se de uma crônica. Entenda porque:

O Esquenta Galho

 Não existe em Itajaí e região lugar mais democrático e divertido do que o esquenta galho. É assim que nós, marcilistas de coração, chamamos a arquibancada descoberta do estádio Dr. Hercílio Luz, também conhecido como Gigantão das Avenidas, no centro da cidade. O apelido carismático, não se sabe da onde vem, mas representa a união dos torcedores, que ali – geralmente com o sol forte na cabeça e o odor saboroso dos espetinhos de gato que exalam debaixo dos degraus – se reúnem em todos os jogos em casa do Marinheiro.

Só quem assiste aos jogos no esquenta galho sabe do que estou falando. Ali frequentam por jogo entre 300 e 500 torcedores, faça chuva ou sol. É nesse espaço que médicos, advogados, garis e desempregados estão em igualdade social e de opinião, falam as mesmas besteiras, xingam, aplaudem e dão risadas juntos, como velhos amigos, sem mesmo se conhecer pelo nome. Eles vêm de todos os lugares possíveis, dos residenciais da Praia Brava aos barracos do Imaruí. A espontaneidade e a criatividade são as marcas registradas desses torcedores. Por jogo, Nelson Rodrigues escreveria pelo menos cinco crônicas, só aproveitando as pérolas disparadas pelos marcilistas. Os adjetivos são tantos, e tantos impublicáveis, que não cabem nesse texto.

É o zagueiro turrão que vai expulso, é o goleiro frangueiro que faz gestos para torcida, o juiz e o bandeirinha que estão sempre roubando o nosso time, o gândula que escorregou pra buscar a bola, o centroavante que perdeu um gol feito e o lateral, que por aquele lado corre, e entende mais do que ninguém o que são os corneteiros do esquenta galho. É o grito de ‘Cilio! Cilio!” quando o time consegue um ataque perigoso. O gol então, é uma catarse.

O esquenta galho é como um clube fechado – que as vezes, infelizmente, fica infestado dos indesejados secadores – onde o mesmo grupo de sócios – sem carteirinha, nem contrato – se reúne de domingo em domingo. A diferença é que ali não se tem vantagens, nem benefícios. Não é o Itamirim onde a burguesia se junta para ver quem tem o carro melhor, quem tem o melhor emprego e salário, e se esbaldar no mega conjunto de piscinas, campos de futebol e quadras de tênis. A graça de ser marcilista é justamente sofrer e dar risada, na derrota, na vitória e no empate. Sem conforto, no concreto e debaixo de sol.

Quantas vezes, nós marcilistas, não deixamos aquele estádio jurando nunca mais pisar àquele concreto mal cuidado, depois de mais uma decepção daquelas. Pergunte quantos apareceram no domingo seguinte e a resposta será: os mesmo de sempre, ninguém resistiu a tentação de ver o Cílio de novo em campo. “Deviam destruir isso aqui e construir uma pista de patinação no gelo”, ouvi certa vez na saída do portão para a avenida Marcos Konder, após uma derrota vergonhosa. “Deviam mesmo é fazer uma zona gigante pra gente que vem aqui sofrer”, rebateu outro torcedor.

Hoje, 90% de Itajaí não entende como que o Marcílio Dias resiste aos 90 anos, falido e na segunda divisão do campeonato catarinense, com uma sala de troféus quase vazia e empoeirada. A indignação é maior ainda ao ver o velho Dr. Hercílio Luz, ocupando um espaço enorme no centro da cidade, que poderia ser, na opinião deles, um shopping, um mega condomínio… Esses, creio, nunca assistiram a um jogo no esquenta galho para entender por que o velho Marinheiro nunca vai fechar as portas.

No último domingo, os marcilistas voltaram a assistir ao rubro-anil do esquenta galho. Interditada desde o começo da temporada, por problemas estruturais, a arquibancada lateral precisou passar por reformas, e contra nossos princípios, tivemos que ver vários jogos na chamada arquibancada da Cassol, atrás de uma das traves.

A alegria de pisar novamente o esquenta galho bateu com a vitória suada por 1 a 0 em cima do Tubarão, que nos colocou na liderança do campeonato e a dois pontos do título do returno. Uma partida feia, sem inspiração e de futebol indigesto. Mesmo assim, o torcedor saiu rindo à toa, não tem jogo ruim no esquenta galho.

Anúncios

Shopping volta atrás e camisas tão liberadas

Depois de barrar um jovem de 18 anos com o manto marcilista na noite de segunda-feira e virar assunto de matéria do Diarinho na edição de ontem, a regra do Itajaí Shopping que proíbe o uso de camisas de clubes dentro do lugar não está mais valendo. O mesmo jornal que denunciou o absurdo, publicou na edição de hoje nova reportagem sobre o tema, no qual uma diretora do estabelecimento, Susana Japur, desfaz da proibição. Ela avisa que serão retirados somente quem estiver fazendo baderna, independente da vestimenta, o que era pra ter sido feito desde o inicio.

Sem dúvida essa mudança de opinião é fruto da repercussão que a matéria teve na cidade e também de certa falta de jogo de cintura da gerente de marketing do Shopping, Vanessa  Niels, para lidar com a situação. Ontem ela afirmou que qualquer camisa de clube estava proibida, revoltando principalmente os torcedores do Marcílio Dias, já que um marcilista foi o único a ser barrado até agora.

Enfim, o desentendimento foi resolvido e quem saiu perdendo foi o Itajaí Shopping, que saiu de vilão na história e teve que se retratar no dia seguinte. Por outro lado, o número de camisas do Rubro-Anil circulando por lá vão aumentar. Os torcedores do Marinheiro não vão deixar barato esse papelão, bem que fazem.

Itajaí Shopping proíbe uso de camisas de futebol

Se você não tira aquela camisa do seu time (nacional ou europeu) pra nada,  tome cuidado na hora de ir até o Itajaí Shopping. O Diarinho publicou na edição de hoje uma matéria sobre a nova medida adotada pela direção do centro lojistíco, que proíbe o uso de camisas futebolísticas dentro do espaço que envolve lojas, praça de alimentação e estacionamento. O jornal descobriu a regra através do estudante Fábio Castro, 18 anos, que na última segunda-feira foi fazer umas compras com a camisa do Marcílio Dias e acabou barrado pelos seguranças: ou ele trocava de vestimento ou ia pra rua.

Indignado, como qualquer um ficaria, o rapaz procurou a redação e foi atendido pela repórter de Voz do Povo, a Patrícia. Ela procurou a diretoria do Shopping, e a gerente de marketing, Vanessa Niels, confirmou o absurdo. A justificativa é de que algumas brigas com torcidas, provavelmente a torcida organizada de Itajaí (que aliás possui vida própria e não existe só para prestigiar o Marinheiro), provacaram tal medida no mínimo anti-comercial.

Ao mesmo tempo que o ítem é proibida no local, pelo menos duas lojas vendem camisas de clubes e podem se sentir lesadas. A tal regra pode inibir o consumidor, que ficará com um pé atrás de procurar os mantos sagrados de seus clubes no comércio daquele espaço. E se a pessoa comprar o produto e quiser sair da loja já com a nova aquisição, também vai ser convidada a trocar de roupa?

Além do constrangimento, o que revoltou mais ainda o jovem Fábio (que não tem ligação nenhuma com torcida organizada) foi o preconceito para com a camisa do time da própria cidade. E ele está certo, se no Itajaí Shopping não se pode usar o uniforme do time da casa, então não se pode usar de lugar nenhum. Aí eu me pergunto, será que vão me barrar se estiver usando minha camisa do Liverpool? Claro que não.

 Os marcilistas de verdade já sofrem certa rejeição de boa parte dos itajaienses, ainda mais no estado em que os “dirigentes” estão deixando o clube, e uma medida dessa soa como mais animosidade e preconceito. Porém, o outro Anderson da redação do Diarinho esteve no shopping com o manto Rubro-Anil e perambulou pra cima e pra baixo pra ver se alguém chamava sua atenção, mas os seguranças nem se tocaram. Talvez porque eles estejam mais preocupados em barrar os torcedores entre 14 e 20 anos, que são os causadores de problemas.

Não é de hoje que o Itajaí Shopping vem tendo problemas com meia-dúzia de adolescentes que vão para o lugar só para fazer bagunça e incomodar quem que está lá por lazer. Mas esses pseudos-marujinhos não representam a torcida do Marinheiro, até porque só comparecem nos jogos do Catarinense e olhe lá. Certamente eles não acompanham diretamente o Rubro-Anil nos campeonatos Brasil afora e nem sofrem como nós, insistentes marcilistas, sofremos. Mas também nos divertimos.

 Não creio que a regra, que segundo Vanessa consta no regimento da Associação dos Shoppings Catarinenses, vá pegar. Seria um tiro no pé de quem aluga um espaço ali, e deve pagar caro (afinal, tá sempre mudando as lojas), começar a proibir a entrada de gente com camisas de Internacional, Grêmio, Vasco e etc… Quem diria camisa do Liverpool, Milan e outros clubes europeus. 

Se a equipe de seguranças não consegue identificar quem são os bagunceiros, pra barrar a entrada desses indíviduos no Shopping, então que não generalize. Principalmente quando se trata do Marcílio Dias, que é um clube local e querendo ou não, tem diversas camisas espalhadas pela cidade.

 eu_camisa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Será que vão me barrar usando a camisa do Liverpool?! Eu duvido.


Calendário:

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« fev    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Twitter:

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.